Chuva fina e constante durante dias, temperaturas mais baixas, aquele friozinho. É hora de dormir com uma coberta mais pesada. É época de colher o milho plantado três meses antes e de saborear canjincas, pamonhas e outras delícias feitas de milho.
A sanfona, a zabumba e o triângulo começam a tocar com mais intensidade. As chinelas se arrastam com mais facilidade. E o ar se mescla com um cheiro inconfundível de fogueira e de pólvora. É junho...
Alguém que nasceu e viveu um pouquinho no interior do Nordeste sabe que quando isso acontece é sinal de que a maior festa nordestina se aproxima: As Festas Juninas, ou simplesmente, São João, como nós sertanejos costumamos falar.
Para mim, elas fazem parte daquele conjunto de recordações da infância que sempre voltam à memória em determinados momentos do ano.
Lembro-me até hoje que aguardava ansiosamente a primeira banca de bombinhas e chuvinhas ser montada já no final de maio. Tanto quanto a chuva e a comida de milho, saber que alguém já tinha se preocupado em montar a banquinha era sinal de que o São João estava próximo.
Era hora também de se dedicar mais aos estudos. Tirar boas notas pra não ter que passar o São João estudando pras provas. Até hoje não sei se o fato da prova de matemática ser sempre no dia vinte e quatro de junho era coincidência ou maldade dos professores.
Os dias passavam e chegava a primeira fogueira: a de Santo Antônio. É bem verdade que o Santo é mais lembrado pelas encalhadas de plantão, mas há quem cultive o hábito de também acender fogueira ao santo até hoje.
Sabia-se que dali há dez dias seria a grande noite. Sim, porque pra nós crianças era assim que era tratada a data. Junto com o Reveillon era uma das únicas noites do ano em que se era permitido dormir depois da meia-noite.
Comprava-se roupa nova, sapato novo, tudo novo.
Passei alguns das datas em sítio. E posso garantir que quem nunca teve esta experiência não sabe o que está perdendo.
Lembro-me até hoje de duas ocasiões engraçadas desta época. Nas duas eu era muito pequeno. Eu tinha ganhado uma camisa de lá e eis que um fiozinho deu o ar da graça justamente na noite de São João. Eu, curioso que só eu, inventei de puxar o fio e a camisa se desmanchou toda. Tive que me contentar em vistar uma roupa "velha". Ainda bem que não ficou o trauma.
Umas da nossas farras preferidas no São João era esperar a fogueira baixar pra pular. Em um outro ano eu inventei de fazer isso. E quando saltei sobre a fogueira, meu tênis novinho, dos Trapalhões, caiu dentro da fogueira. Deu pra recuperar, mas ficou um pouco queimado.
Quando saí do interior e fui morar no Recife eu não esperava que o São João fosse algo tão festejado em uma capital.
Acho que as pessoas, como eu, que viveram essa fase da vida no interior quando se mudam pra capital não querem perder o hábito e fazem com quem a festa continue viva por aqui.
Foi quando fui morar no Recife que conheci as duas maiores festas juninas do mundo: Campina Grande e Caruaru. Não me perguntem qual das duas é melhor.
São festas mais estilizadas, mas nem por isso perderam o brilho junino.
Este ano será o primeiro São João que passo na Bahia e tenho certeza que vai ser tão bom quanto todos os outros.
A sanfona, a zabumba e o triângulo começam a tocar com mais intensidade. As chinelas se arrastam com mais facilidade. E o ar se mescla com um cheiro inconfundível de fogueira e de pólvora. É junho...
Alguém que nasceu e viveu um pouquinho no interior do Nordeste sabe que quando isso acontece é sinal de que a maior festa nordestina se aproxima: As Festas Juninas, ou simplesmente, São João, como nós sertanejos costumamos falar.
Para mim, elas fazem parte daquele conjunto de recordações da infância que sempre voltam à memória em determinados momentos do ano.
Lembro-me até hoje que aguardava ansiosamente a primeira banca de bombinhas e chuvinhas ser montada já no final de maio. Tanto quanto a chuva e a comida de milho, saber que alguém já tinha se preocupado em montar a banquinha era sinal de que o São João estava próximo.
Era hora também de se dedicar mais aos estudos. Tirar boas notas pra não ter que passar o São João estudando pras provas. Até hoje não sei se o fato da prova de matemática ser sempre no dia vinte e quatro de junho era coincidência ou maldade dos professores.
Os dias passavam e chegava a primeira fogueira: a de Santo Antônio. É bem verdade que o Santo é mais lembrado pelas encalhadas de plantão, mas há quem cultive o hábito de também acender fogueira ao santo até hoje.
Sabia-se que dali há dez dias seria a grande noite. Sim, porque pra nós crianças era assim que era tratada a data. Junto com o Reveillon era uma das únicas noites do ano em que se era permitido dormir depois da meia-noite.
Comprava-se roupa nova, sapato novo, tudo novo.
Passei alguns das datas em sítio. E posso garantir que quem nunca teve esta experiência não sabe o que está perdendo.
Lembro-me até hoje de duas ocasiões engraçadas desta época. Nas duas eu era muito pequeno. Eu tinha ganhado uma camisa de lá e eis que um fiozinho deu o ar da graça justamente na noite de São João. Eu, curioso que só eu, inventei de puxar o fio e a camisa se desmanchou toda. Tive que me contentar em vistar uma roupa "velha". Ainda bem que não ficou o trauma.
Umas da nossas farras preferidas no São João era esperar a fogueira baixar pra pular. Em um outro ano eu inventei de fazer isso. E quando saltei sobre a fogueira, meu tênis novinho, dos Trapalhões, caiu dentro da fogueira. Deu pra recuperar, mas ficou um pouco queimado.
Quando saí do interior e fui morar no Recife eu não esperava que o São João fosse algo tão festejado em uma capital.
Acho que as pessoas, como eu, que viveram essa fase da vida no interior quando se mudam pra capital não querem perder o hábito e fazem com quem a festa continue viva por aqui.
Foi quando fui morar no Recife que conheci as duas maiores festas juninas do mundo: Campina Grande e Caruaru. Não me perguntem qual das duas é melhor.
São festas mais estilizadas, mas nem por isso perderam o brilho junino.
Este ano será o primeiro São João que passo na Bahia e tenho certeza que vai ser tão bom quanto todos os outros.
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