
Na última quarta-feira Hugo Chavez, presidente da Venezuela, deu mais uma demonstração de sua sanha ditatorial. A Suprema Corte da Venezuela determinou que a RCTV deverá sair do ar até às 23h59min deste domingo. A partir dessa data, se continuar emitindo o sinal, será considerada uma TV ilegal.
Para entender um pouco da história, a Suprema Corte da Venezuela é mais um órgão tutelado pelo presidente bolivariano. Em um país sério, o poder judiciário teria como uma das funções pôr freio ao apetite ditarial de alguns governantes, mas não tem sido assim na nossa vizinha andina desde que Hugo Chavez apeou o poder e passou a ser ele mesmo a lei e a ordem no país.
Já a RCTV, uma empresa privada mas de natureza pública, como todo canal de televisão, está no ar há cinqüenta e três anos. É o canal mais antigo em operação e um dos três mais visto na Venezuela.
O motivo para ter atraído a ira chavista? A empresa é ligado a um grupo americano, de Miami, e é um dos poucos focos de resistência ao populismo presidencial. Foi acusado pelo senhor absoluto da Venezuela de ter apoiado um golpe para lhe tirar do poder em 2002. Para Chavez, ela está a serviço de Washington, pronta para doutrinar a população a aceitar a "dominação americana".
Além se sofrer um forte atentado contra a liberdade de imprensa, a sociedade venezuelana, que parece anestesiada pelos programas assistencialista do governo, sofreu uma ataque à propriedade privada. Todo o equipamento da TV vai ser confiscado e utilizado pelo governo na nova TV "amiga" da Venezuela. Isso é ilegalidade pura.
Toda emissora de televisão é uma empresa privada de natureza pública porque a concessão é do governo, ou seja, atende a um interesse público, mas todo o maquinário e equipamento é de propriedade privada. O dinheiro ali investido é de um grupo privado, veio de trabalho, investimento. A decisão de confiscar antenas, câmeras, link, ilhas de edição e todos os outros equipamentos é um saque a sociedade liberal constituída.
O fato curioso é que o fim das transmissões da RCTV vai deixar sem fim a novela de maior audiência no país atualmente. É como se os brasileiros não pudessem ver o final de uma novela das nove da Rede Globo. Já pensou o tanto de protesto que isso geraria no Brasil?
Os donos da empresa dizem que vão procurar ajuda internacional para tentar reaver o direito de transmissão e os equipamentos. Hoje, na despedida, a emissora leva ao ar o programa especial Un amigo es para siempre, que vai reviver os melhores momentos do mais de meio século do canal.
E onde está o governo brasileiro no repúdio a essa atitude ditarial e arbitrária? Estados Unidos, União Européia, Peru e México já manifestaram oficialmente o repúdio à atitude. E a posição do Brasil... É a omissão.
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