Fui acordado neste sábado por uma das piores notícias que alguém pode receber. Uma ligação do Ceará àquela hora do dia já era prenúncio de que algo acontecera, e não era bom. Do outro lado da linha eu percebia o esforço de minha irmã querendo acabar com a agonia aparente já na minha forma de atender o celular.
Carlos Eduardo, Cacá, irmão da minha grande amiga, Alynne, tinha sofrido um acidente de carro e não resitiu. Depois da notícia só me lembro de ouvir minha irmã dizer que Alynne e a irmã mais nova estava indo da Paraíba, onde moram, para Juazeiro.
A primeira reação é duvidar que aquilo realmente está acontecendo. Depois penso na dor que todos devem estar passando. Dá uma vontade de estar com eles nessa hora. Mas a distância não torna isso possível. Tento ligar para o celular de Alynne, mas dá caixa. Depois me contaram que ela não sabia que o irmão não tinha resistido, algo que só veio a saber em Juazeiro.
Como deve ter sido a viagem de minha amiga? Quantos pensamentos e lembranças passaram pela cabeça dela?
Conheci Alynne no colégio aos dez anos de idade, ou seja há dezessete anos. É aquela típica amizade em que por causa da gente, as famílias acabam se tornando amigas também, embora não tão próximas. Estudamos da quarta-série do primeiro grau (como chamávamos na época) até o terceiro ano (hoje ensino médio). Fizemos parte de um grupo de alunos que cresceram juntos tendo a escola como extensão natural das nossas casas.
Cacá é o único irmão de Alynne e Renata, e o filho do meio. O conheci muito novo, estudou no mesmo colégio que nós. Como todo irmão mais novo, não gostava muito dos meninos que se aproximavam de Alynne.
O tempo e a maturidade posterior à adolescência me aproximou mais dele. A amizade com Alynne me fez acompanhar de forma indireta o crescimento do irmão. Através dela ficava sabendo o que vinha fazendo, o que desejava fazer, inclusive algumas angustias e incertezas que todos temos. Algo natural, pois é assim a nossa amizade. Eu, Magda e Alynne compartilhamos sempre os momentos de alegria, dor, angústia e até de solidão e isso, como disse anteriormente, acaba envolvendo outras pessoas da nossa família.
Essas notícias sempre mexem comigo e até demorei um pouco pensando no que escrever. A essa hora deve estar acontecendo o sepultamento do corpo de Cacá. Eu não pude estar presente, mas sei que minha família esteve lá, ajudando no que fosse possível e necessário.
De Cacá vou guardar as imagens do menino que fazia cara feia quando eu chegava à casa dele, mas também vou lembrar das nossas poucas e rápidas conversas sobre futebol na adolescência e as também rápidas conversas sobre o que estávamos fazendo agora na fase adulta.
Mas de todas as lembranças a que vai ficar mais viva é a do último Natal. Quando fomos pra casa da tia de Alynne no Crato. Sabe como é cearense, gosta de uma piada. E quando se juntam alguns então, fazem um show de humor. É do Carlos Eduardo alegre e cheio de histórias pra contar que eu vou me lembrar sempre.
À família todos os meus sentimentos, mesmo à distância estou com vocês...
domingo, 27 de maio de 2007
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