domingo, 27 de maio de 2007

Luto...

Fui acordado neste sábado por uma das piores notícias que alguém pode receber. Uma ligação do Ceará àquela hora do dia já era prenúncio de que algo acontecera, e não era bom. Do outro lado da linha eu percebia o esforço de minha irmã querendo acabar com a agonia aparente já na minha forma de atender o celular.
Carlos Eduardo, Cacá, irmão da minha grande amiga, Alynne, tinha sofrido um acidente de carro e não resitiu. Depois da notícia só me lembro de ouvir minha irmã dizer que Alynne e a irmã mais nova estava indo da Paraíba, onde moram, para Juazeiro.
A primeira reação é duvidar que aquilo realmente está acontecendo. Depois penso na dor que todos devem estar passando. Dá uma vontade de estar com eles nessa hora. Mas a distância não torna isso possível. Tento ligar para o celular de Alynne, mas dá caixa. Depois me contaram que ela não sabia que o irmão não tinha resistido, algo que só veio a saber em Juazeiro.
Como deve ter sido a viagem de minha amiga? Quantos pensamentos e lembranças passaram pela cabeça dela?
Conheci Alynne no colégio aos dez anos de idade, ou seja há dezessete anos. É aquela típica amizade em que por causa da gente, as famílias acabam se tornando amigas também, embora não tão próximas. Estudamos da quarta-série do primeiro grau (como chamávamos na época) até o terceiro ano (hoje ensino médio). Fizemos parte de um grupo de alunos que cresceram juntos tendo a escola como extensão natural das nossas casas.
Cacá é o único irmão de Alynne e Renata, e o filho do meio. O conheci muito novo, estudou no mesmo colégio que nós. Como todo irmão mais novo, não gostava muito dos meninos que se aproximavam de Alynne.
O tempo e a maturidade posterior à adolescência me aproximou mais dele. A amizade com Alynne me fez acompanhar de forma indireta o crescimento do irmão. Através dela ficava sabendo o que vinha fazendo, o que desejava fazer, inclusive algumas angustias e incertezas que todos temos. Algo natural, pois é assim a nossa amizade. Eu, Magda e Alynne compartilhamos sempre os momentos de alegria, dor, angústia e até de solidão e isso, como disse anteriormente, acaba envolvendo outras pessoas da nossa família.
Essas notícias sempre mexem comigo e até demorei um pouco pensando no que escrever. A essa hora deve estar acontecendo o sepultamento do corpo de Cacá. Eu não pude estar presente, mas sei que minha família esteve lá, ajudando no que fosse possível e necessário.
De Cacá vou guardar as imagens do menino que fazia cara feia quando eu chegava à casa dele, mas também vou lembrar das nossas poucas e rápidas conversas sobre futebol na adolescência e as também rápidas conversas sobre o que estávamos fazendo agora na fase adulta.
Mas de todas as lembranças a que vai ficar mais viva é a do último Natal. Quando fomos pra casa da tia de Alynne no Crato. Sabe como é cearense, gosta de uma piada. E quando se juntam alguns então, fazem um show de humor. É do Carlos Eduardo alegre e cheio de histórias pra contar que eu vou me lembrar sempre.
À família todos os meus sentimentos, mesmo à distância estou com vocês...

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