quinta-feira, 24 de maio de 2007

FHC e a esfinge...


PREPARADO PARA ATIRAR:
O jornalista Josias de Sousa divulgou hoje em seu blog que o Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) estaria à frente de um grupo suprapartidário que articulará um agenda de oposição ao presidente Lula. Nesta agenda alternativa alguns pontos se destacam: violência, meio ambiente e geração de empregos.
Para o ex-presidente, o cenário internacional proporcionará a Lula guiar o avião (o Brasil, não o aerolula) sem sobressaltos (a menos que acontece alguma falha nos sistemas de controle de tráfego, como no Brasil real). Seria preciso portanto aproximar-se da população com uma proposta que fosse além da crítica à falta de ética dos partidos aliados e à sanha governamental por medidas provisórias. Ainda segundo o jornalista a tentativa se dá num momento em que Lula ensaia uma aproximação com o tucano.
Já FHC defende uma oposição mais acirrada no Congresso Nacional, até porque querendo ou não Lula tem as chaves do cofre e ninguém do executivo, inclusive da oposição, atiraria no pé levantando a voz pra o presidente. Não é de hoje que o tucano-mor procura, sem sucesso, articular uma oposição que passe menos tempo gritando e consiga convencer a sociedade das mazelas do governo.
Uma tarefa dificílima quando do outro lado o presidente se beneficia da recuperação inerte de uma economia favorecida pelo bom momento no mercado internacional e de um sistema de distribuição de renda muitas vezes confundido com esmolas. Muitas das tentativas do ex-presidente geraram desconfortos inclusive no partido de que ele é presidente de honra.
Essa nova tentativa busca impedir um avanço de Lula em parte da então oposição. Não imagina-se que partidos como PFL e PSDB subam nesse momento do palanque lulista, mas também é descabido imaginar que esses partidos levantem a voz contra o presidente em um momento em que Lula conta com maioria no Congresso e forte apoio popular.
As denúncias de corrupção que atingiram o governo Lula parecem ter passado batidas pela população que decidiu dar mais quatro anos a ele à frente da presidência. Encontrar um discurso que passe da retórica à prática é uma das tarefas mais difíceis para um grupo que se ver reduzido: os oposicionistas por convicção.
A tentativa da oposição é também a busca de uma via para assegurar uma boa votação nas eleições municipais do ano que vem. Com os cofres abertos aos aliados e a burocracia estatal para os oposicionistas, Lula, que assumiu de vez a articulação do governo, vai, legitimamente, tentar abocanhar as principais prefeituras do País. Algumas delas nas mãos da oposição, como o Rio de Janeiro e São Paulo.
Nas prefeituras de médio e pequeno porte conta com o apoio do novo passeiro no avião presidencial: o PMDB. Por trás dessa articulação, FHC tenta não apenas se firmar como uma força política da oposição. Ele quer barrar a influência de Lula na escolha do sucessor em 2010. Sucessor que poderia levar ele mesmo, Lula, ao poder novamente em 2014. Sucessão que já ronda o ninho tucano com o canto da sereia do PMDB, partido que decidiu ficar a reboque do PT (nada novo, em se tratando de PMDB), na tentativa de cooptar o presidenciável Aécio Neves, estrela de primeira linha do tucanato.
A resposta que vale um milhão de reais é: O presidente de honra do PSDB vai conseguir articular a oposição e se apresentar como uma alternativa ao governo ou vai ficar pregando para acadêmicos e será mais uma vez escondido e esquecido pelos partidários?

2 comentários:

Anônimo disse...

Benja, nunca deixe de expor em palavras, toda a sua revolta, indignação e olhar crítico por esse mundo aqui, como brilhantemente tem feito! Sucesso!

Anônimo disse...

É fácil se acostumar ao que é belo. Ao que muito bem traz ao coração. Andar em busca do amor faz do homem um ser feito de amor. Eis o que sou!

Me preparo pra receber a paz que sei que existe, e já sinto a alegria em poder participar com você dessa busca pela felicidade.