quinta-feira, 31 de maio de 2007

Mas tenho culpa

Desde que surgiram os primeiros envolvidos na Operação Navalha que eu venho pensando no que escrever sobre ela aqui no Blog. Não é meu objetivo fazer um blog apenas jornalístico, então descartei a idéia de acompanhar diariamente com notícias o que vem acontecendo.
Pensei em expressar aqui a minha indignação, mas ao conversar com as pessoas vi que muita gente acha que essa é "mais uma" operação que não vai dar em nada.
Percebi que a descrença nos políticos é na verdade uma descrença em nós mesmo, na nossa sociedade. Fique pensando, pensando em que postar, algo que demonstrasse esse sentimento de indignação Não encontrava nada, até que hoje pela manhã me lembrei dessa poesia de Petrúcio Amorim. Não precisa explicar nada sobre ele, basta ler...

Filho do Dono
Petrúcio Amorim

Não sou profeta
Nem tão pouco visionário
Mas o diário desse mundo
Tá na cara
Um viajante na boleia do destino
Sou mais um fio
Da tesoura e da navalha
Levando a vida
Tiro versos da cartola
Chora viola
Nesse mundo sem amor
Desigualdade
Rima com hipocrisia
Não tem verso nem poesia
Que console o cantador
A natureza na fumaça se mistura
Morre a criatura
E o planeta sente a dor
O desespero
No olhar de uma criança
A humanidade
Fecha os olhos pra não ver
Televisão
De fantasia e violência
Alimenta o crime
Cresce a fome do poder
Boi com sede
Bebe lama
Barriga seca
Não da sono
Eu não sou dono do mundo
Mas tenho culpa
Porque sou filho do dono

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Los gatos como yo...



A partir desta semana às quartas-feiras vou postar ai ao lado o clipe da semana. A primeira é dessa moça ai de cima de quem sou fã: Shakira.

A música é "Te Dejo Madrid". Não é uma de suas mais conhecidas composições, mas é uma das que mais gosto.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Ao irmão com carinho!!


Sabe aquelas amizades que nascem quase que junto com a gente e seguem pelo resto da vida? Daquelas que fazem você ser capaz de se lembrar desde de fatos marcantes até pequenas passagens da vida do amigo? Como por exemplo quando ele conseguiu pela primeira vez andar de bicicleta ou quando ele ganhou aquele concurso de redação literária que até hoje ilustra o currículo dele, para o seu desespero.

Quando você ganhou aquela medalha dos jogos estudantis ele estava na arquibancada junto com sua família e no resultado do vestibular ele foi o primeiro que quis raspa sua cabeça. São momentos que realmente marcam e fazem a vida de dois amigos se torna melhor.

Com esse cara ai da foto não foi assim, conheci Leonardo Vasconcelos, ou simplesmente Léo, quando éramos adultos, pelo menos na idade biológica. Eu estava na segunda turma à frente da dele na faculdade de jornalismo. Fomos aproximado pela organização da primeira Copa Paulo Francis de Futebol.

Em seguida trabalhamos juntos na Assessoria de Comunicação da UFPE e foi lá que a amizade cresceu e nos transformou em irmãos. Se não compartilhamos momentos da nossa infância e adolescência, não nos faltam histórias.

Lembro que na época das vacas magras era com ele que dividia cachorro-quente na hora do almoço. Sempre que o dinheiro permitia iamos ao bom e velho restaurate Cabidela do Baracho, na cidade universitária, lá no Recife. Bem, chamar o estabelecimento de restaurante é bondade minha.

Aos poucos foi se tornando o conselheiro de todas as horas e assuntos. Sensato e paciente, sabe como ninguém aguentar minhas chatices e até me faz ver que, às vezes, estou errado.

Mas o começo difícil não nos impediu de rir da vida e com ela. E talvez até tenha nos ajudado a encarar as dificuldades com bom humor. Posso citar inúmeros casos engraçados. Como no dia em que achávamos que nos tornaríamos mega empresários do entretenimento ao vender ingressos como cambistas para o primeiro show de Babado Novo no Recife. Não conseguimos nem os ingressos e muito menos entrar no show.

Putz, lembrei agora o dia em que o carro da UFPE que nos levava pra fazer o programa na Rádio Univesitária quebrou e tivemos que descer pra empurá-lo em plena Avenida Norte. E todos os carros que passavam buzinavam, as pessoas gritavam e a gente ria feito dois bestas.

Mas como todo amigo, ele não é uma companhia apenas para as horas alegres. E é pra ele até hoje que conto minhas angústias, minhas dúvidas. Mesmo à distância se faz presente em momentos difíceis e alegres pra mim. É para ele também a quem primeiro conto meus planos. E são dele as mais importantes opiniões que me fazem tomar decisões.

E o que falar do meu teste de seleção para o estágio da Globo. Como um ritual sempre nos reuniamos depois pra contar como foi cada etapa e conversar sobre as seguintes. Até hoje quando como esfirra do Habib's me lembro dos dias em que fazíamos isso como um símbolo de uma vitória.

Quando eu deixei o Recife foi esse cara quem foi ao aeroporto levar o abraço amigo e dizer que se eu não gostasse ou algo saisse errado que eu voltasse, eles estariam me esperando. O verbo no plural se referia à família dele, que também passou a ser a minha. Hoje eu sei que se precisar terei o apoio não apenas da minha família no Ceará, como também da minha família recifense.

"Voe mais alto, irmão", foi a mensagem que recebi dele no celular ao entrar na sala de embarque naquele dia que deixei a capital pernambucana para morar em Petrolina.

Irmão, falar de um cara como você não é tarefa fácil. São tantas histórias e provas de amizade que fica difícil até escolher algumas. Você merece todas as homenagens possíveis. Você nasceu para brilhar. E por mais que em alguns momentos a vida nos pareça uma aventura obscura saiba que essa sua luz ilumina a escuridão. Você não está sozinho, tem muita gente ao seu lado e entre essas pessoas estou eu.

Não me importa saber se encabeço a sua lista de amigos. Se estou no meio dela ou se a finalizo. Pra mim o importante é saber que o tenho como amigo e irmão. Que a uma ligação de telefone posso encontrar todo o apoio e a força pra seguir e também lhe dar apoio. A distância que separa o Recife de Salvador não nos afasta...

"Se avexe não...Amanhã pode acontecer tudo inclusive nada.Se avexe não...A lagarta rasteja até o dia em que cria asas. Se avexe não...que a burrinha da felicidade nunca se atrasa. Se avexe não...Amanhã ela pára na porta da tua casa. Se avexe não...Toda caminhada começa no primeiro passo. A natureza não tem pressa segue seu compasso. Inexoravelmente chega lá...Se avexe não...Observe quem vai subindo a ladeira seja princesa, seja lavadeira...Pra ir mais alto vai ter que suar." Accioly Neto
FELIZ ANIVERSÁRIO, IRMÃO...

domingo, 27 de maio de 2007

Ele é o cara


O coração do Brail volta a acelerar:

Um dos meus programas favoritos do final de semana é tomar o café-da-manhã numa padaria perto de minha casa na manhã de domingo.
Hoje não foi diferente, apesar da chuva que ameaçava cair em Salvador e do friozinho que fazia.
Tive a sorte de chegar à padaria poucos antes da largada do Grande Prêmio de Mônaco. Foi curioso ver que aos poucos as pessoas que chegavam ao local ou as que iam passando e ouviam o som dos motores automaticamente paravam para olhar a TV e iam logo perguntando: é Massa que está na frente?
Não, não era. Ainda era o aquecimento. E logo começou uma conversa que mais parecia papo sobre futebol em um botequim. De repente é como se todos os brasileiros passassem a enteder de automobilismo, de circuitos, de pilotos.
A defesa de Massa era unânime. Todos elogiando o piloto e dizendo que o terceiro lugar na largada era importante. Como num passe de mágica todos entendiam que o circuito de Mônaco não é propício a ultrapassagens e favorecia a McLaren.
Mas havia quem acreditasse na vitória do piloto brasileiro. Seja por uma batida entre Alonso e Lewis Hamilton ou por alguma estratégia da Ferrari. Chegaram a dizer que Schumacher havia ido ao circuito "dar uma mãozinha" ao amigo brasileiro.
Na volta pra casa, vim correndo porque queria ver o resto da corrida (sim, eu faço parte do grupo que acredita sempre na vitória de Massa) e foi curioso ver, ou ouvir, que muitas televisões estavam ligadas na corrida. Algo que me fez lembrar da minha adolescência quando parávamos e nos reuniamos para ver Ayrton Senna correr.
Tenho certeza que a cena se repetiu em todos os cantos do Brasil. Nas cidades grandes, na médias, nas pequenas, nos sítios e fazendas. Por isso o título do post. Por ter nos devolvido o gosto pelo automobilismo e por nos fazer acreditar que podemos voltar a ser campeões Felipe Massa é o cara...
Ele chegou em terceiro, fez o que lhe cabia fazer. Abriu dez pontos de vantagens sobre o companheiro de equipe e se recuperou de um início de tempora dificil (ver post seguinte). Está a cinco pontos dos líderes e agora tem pela frente dois circuitos que são favoráveis a Ferrari, no Canadá e em Indianápolis. Vamos torcer...

Vai que é tua...


Desde a vitória de Felipe Massa no GP do Brasil de F1 no ano passado que ficamos com aquela sensação de que "agora vai".
Quase quinze anos depois da morte de Ayrton Senna nós brasileiros ainda nos sentimos órfãos de um nome que nos represente à altura na mais importante categoria do automobilismo.
Início atípico:
Veio a primeira corrida, na Austrália, e aquele friozinho na barriga. Não foi como esperávamos.
Punido por ter trocado o motor depois da classificação, Massa partiu da 22ª posição. Fez uma ótima corrida de recuperação, terminou em sexto. Mas era pouco pra quem nos prometeu tanto. Para piorar, o companheiro de equipe, Mike Raikkonen, chegou em primeiro.
Gosto amargo:
A segunda prova, na Malásia, prometia ser o início da recuperação do piloto brasileiro. Cravou a Pole. Mas veio a corrida... Perdeu a primeira posição para Alonso, em seguida saiu da pista e só conseguiu chegar em quinto lugar. Além da desconfiança dos brasileiros, Massa também atraiu a crítica da imprensa italiana. Pensamos: já vimos esse filme.
Noites da Arábia:
A temporada dois mil e sete começou pra Felipa Massa no Bahrein: Ele dominou desde os treinos livres até o final da prova. Se aproximou do líder e sinalizou pra torcedores e imprensa que a má fase tinha acabado.
Festa na casa do adversário:
Se vingança é um prato que se come frio, Massa soube esperar bem a oportunidade para dar o troco a Alonso, e foi na Espanha. O brasileiro, que marcou a terceira pole seguida na temporada, disputou novamente a liderança com o espanhol logo no início da corrida, mas dessa vez quem rodou não foi o brasileiro. Além de garantir o primeiro lugar, Felipe ultrapassava o companheiro de equipe na classificação do campeonato. Fator importante para se firmar com número um na equipe.
Favas contadas:
O GP de Mônaco, já se sabia, tinha grandes chances de ser da McLaren. E assim foi desde os treinos livre. Massa largou em terceiro e assim permaneceu durante toda a prova. Alonso ganhou e Lewis Hamilton chegou em segundo. Com o resultado da corrida o piloto brasileiro abriu uma vantagem de dez pontos em cima do companheiro de equipe e está a cinco dos dois pilotos da McLaren, que lideram o campeonato.
Se Mônaco era favorável para a McLaren, Massa vai ter pela frente dois circuitos, no Canadá e em Indianápolis, com a cara da Ferrari. Agora é torcer pra que ele abocanhe mais vinte pontinhos e possa aparecer logo, logo no topo da classificação.

Mais uma do aprendiz de Ditador...


Na última quarta-feira Hugo Chavez, presidente da Venezuela, deu mais uma demonstração de sua sanha ditatorial. A Suprema Corte da Venezuela determinou que a RCTV deverá sair do ar até às 23h59min deste domingo. A partir dessa data, se continuar emitindo o sinal, será considerada uma TV ilegal.
Para entender um pouco da história, a Suprema Corte da Venezuela é mais um órgão tutelado pelo presidente bolivariano. Em um país sério, o poder judiciário teria como uma das funções pôr freio ao apetite ditarial de alguns governantes, mas não tem sido assim na nossa vizinha andina desde que Hugo Chavez apeou o poder e passou a ser ele mesmo a lei e a ordem no país.
Já a RCTV, uma empresa privada mas de natureza pública, como todo canal de televisão, está no ar há cinqüenta e três anos. É o canal mais antigo em operação e um dos três mais visto na Venezuela.
O motivo para ter atraído a ira chavista? A empresa é ligado a um grupo americano, de Miami, e é um dos poucos focos de resistência ao populismo presidencial. Foi acusado pelo senhor absoluto da Venezuela de ter apoiado um golpe para lhe tirar do poder em 2002. Para Chavez, ela está a serviço de Washington, pronta para doutrinar a população a aceitar a "dominação americana".
Além se sofrer um forte atentado contra a liberdade de imprensa, a sociedade venezuelana, que parece anestesiada pelos programas assistencialista do governo, sofreu uma ataque à propriedade privada. Todo o equipamento da TV vai ser confiscado e utilizado pelo governo na nova TV "amiga" da Venezuela. Isso é ilegalidade pura.
Toda emissora de televisão é uma empresa privada de natureza pública porque a concessão é do governo, ou seja, atende a um interesse público, mas todo o maquinário e equipamento é de propriedade privada. O dinheiro ali investido é de um grupo privado, veio de trabalho, investimento. A decisão de confiscar antenas, câmeras, link, ilhas de edição e todos os outros equipamentos é um saque a sociedade liberal constituída.
O fato curioso é que o fim das transmissões da RCTV vai deixar sem fim a novela de maior audiência no país atualmente. É como se os brasileiros não pudessem ver o final de uma novela das nove da Rede Globo. Já pensou o tanto de protesto que isso geraria no Brasil?
Os donos da empresa dizem que vão procurar ajuda internacional para tentar reaver o direito de transmissão e os equipamentos. Hoje, na despedida, a emissora leva ao ar o programa especial Un amigo es para siempre, que vai reviver os melhores momentos do mais de meio século do canal.
E onde está o governo brasileiro no repúdio a essa atitude ditarial e arbitrária? Estados Unidos, União Européia, Peru e México já manifestaram oficialmente o repúdio à atitude. E a posição do Brasil... É a omissão.

Luto...

Fui acordado neste sábado por uma das piores notícias que alguém pode receber. Uma ligação do Ceará àquela hora do dia já era prenúncio de que algo acontecera, e não era bom. Do outro lado da linha eu percebia o esforço de minha irmã querendo acabar com a agonia aparente já na minha forma de atender o celular.
Carlos Eduardo, Cacá, irmão da minha grande amiga, Alynne, tinha sofrido um acidente de carro e não resitiu. Depois da notícia só me lembro de ouvir minha irmã dizer que Alynne e a irmã mais nova estava indo da Paraíba, onde moram, para Juazeiro.
A primeira reação é duvidar que aquilo realmente está acontecendo. Depois penso na dor que todos devem estar passando. Dá uma vontade de estar com eles nessa hora. Mas a distância não torna isso possível. Tento ligar para o celular de Alynne, mas dá caixa. Depois me contaram que ela não sabia que o irmão não tinha resistido, algo que só veio a saber em Juazeiro.
Como deve ter sido a viagem de minha amiga? Quantos pensamentos e lembranças passaram pela cabeça dela?
Conheci Alynne no colégio aos dez anos de idade, ou seja há dezessete anos. É aquela típica amizade em que por causa da gente, as famílias acabam se tornando amigas também, embora não tão próximas. Estudamos da quarta-série do primeiro grau (como chamávamos na época) até o terceiro ano (hoje ensino médio). Fizemos parte de um grupo de alunos que cresceram juntos tendo a escola como extensão natural das nossas casas.
Cacá é o único irmão de Alynne e Renata, e o filho do meio. O conheci muito novo, estudou no mesmo colégio que nós. Como todo irmão mais novo, não gostava muito dos meninos que se aproximavam de Alynne.
O tempo e a maturidade posterior à adolescência me aproximou mais dele. A amizade com Alynne me fez acompanhar de forma indireta o crescimento do irmão. Através dela ficava sabendo o que vinha fazendo, o que desejava fazer, inclusive algumas angustias e incertezas que todos temos. Algo natural, pois é assim a nossa amizade. Eu, Magda e Alynne compartilhamos sempre os momentos de alegria, dor, angústia e até de solidão e isso, como disse anteriormente, acaba envolvendo outras pessoas da nossa família.
Essas notícias sempre mexem comigo e até demorei um pouco pensando no que escrever. A essa hora deve estar acontecendo o sepultamento do corpo de Cacá. Eu não pude estar presente, mas sei que minha família esteve lá, ajudando no que fosse possível e necessário.
De Cacá vou guardar as imagens do menino que fazia cara feia quando eu chegava à casa dele, mas também vou lembrar das nossas poucas e rápidas conversas sobre futebol na adolescência e as também rápidas conversas sobre o que estávamos fazendo agora na fase adulta.
Mas de todas as lembranças a que vai ficar mais viva é a do último Natal. Quando fomos pra casa da tia de Alynne no Crato. Sabe como é cearense, gosta de uma piada. E quando se juntam alguns então, fazem um show de humor. É do Carlos Eduardo alegre e cheio de histórias pra contar que eu vou me lembrar sempre.
À família todos os meus sentimentos, mesmo à distância estou com vocês...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

FHC e a esfinge...


PREPARADO PARA ATIRAR:
O jornalista Josias de Sousa divulgou hoje em seu blog que o Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) estaria à frente de um grupo suprapartidário que articulará um agenda de oposição ao presidente Lula. Nesta agenda alternativa alguns pontos se destacam: violência, meio ambiente e geração de empregos.
Para o ex-presidente, o cenário internacional proporcionará a Lula guiar o avião (o Brasil, não o aerolula) sem sobressaltos (a menos que acontece alguma falha nos sistemas de controle de tráfego, como no Brasil real). Seria preciso portanto aproximar-se da população com uma proposta que fosse além da crítica à falta de ética dos partidos aliados e à sanha governamental por medidas provisórias. Ainda segundo o jornalista a tentativa se dá num momento em que Lula ensaia uma aproximação com o tucano.
Já FHC defende uma oposição mais acirrada no Congresso Nacional, até porque querendo ou não Lula tem as chaves do cofre e ninguém do executivo, inclusive da oposição, atiraria no pé levantando a voz pra o presidente. Não é de hoje que o tucano-mor procura, sem sucesso, articular uma oposição que passe menos tempo gritando e consiga convencer a sociedade das mazelas do governo.
Uma tarefa dificílima quando do outro lado o presidente se beneficia da recuperação inerte de uma economia favorecida pelo bom momento no mercado internacional e de um sistema de distribuição de renda muitas vezes confundido com esmolas. Muitas das tentativas do ex-presidente geraram desconfortos inclusive no partido de que ele é presidente de honra.
Essa nova tentativa busca impedir um avanço de Lula em parte da então oposição. Não imagina-se que partidos como PFL e PSDB subam nesse momento do palanque lulista, mas também é descabido imaginar que esses partidos levantem a voz contra o presidente em um momento em que Lula conta com maioria no Congresso e forte apoio popular.
As denúncias de corrupção que atingiram o governo Lula parecem ter passado batidas pela população que decidiu dar mais quatro anos a ele à frente da presidência. Encontrar um discurso que passe da retórica à prática é uma das tarefas mais difíceis para um grupo que se ver reduzido: os oposicionistas por convicção.
A tentativa da oposição é também a busca de uma via para assegurar uma boa votação nas eleições municipais do ano que vem. Com os cofres abertos aos aliados e a burocracia estatal para os oposicionistas, Lula, que assumiu de vez a articulação do governo, vai, legitimamente, tentar abocanhar as principais prefeituras do País. Algumas delas nas mãos da oposição, como o Rio de Janeiro e São Paulo.
Nas prefeituras de médio e pequeno porte conta com o apoio do novo passeiro no avião presidencial: o PMDB. Por trás dessa articulação, FHC tenta não apenas se firmar como uma força política da oposição. Ele quer barrar a influência de Lula na escolha do sucessor em 2010. Sucessor que poderia levar ele mesmo, Lula, ao poder novamente em 2014. Sucessão que já ronda o ninho tucano com o canto da sereia do PMDB, partido que decidiu ficar a reboque do PT (nada novo, em se tratando de PMDB), na tentativa de cooptar o presidenciável Aécio Neves, estrela de primeira linha do tucanato.
A resposta que vale um milhão de reais é: O presidente de honra do PSDB vai conseguir articular a oposição e se apresentar como uma alternativa ao governo ou vai ficar pregando para acadêmicos e será mais uma vez escondido e esquecido pelos partidários?

Do Timbu, do peixe e a outra coisa...



TIMBU COROADO
A segunda partida do Náutico na volta à Primeira divisão era vista por muitos alvirrubros como o jogo do campeonato. E ganhou mais importância depois que o time foi garfado no jogo contra o Atlético Mineiro, nas Gerais. Ganhar do todo-poderoso São Paulo e garantir os três primeiros pontos virou mais do que uma obrigação, se transformou em uma necessidade de primeiro grau para as pretensões do Timbu neste campeonato.
O Náutico foi melhor em grande parte do jogo (acompanhei pela internet) e quando o São Paulo parecia melhorar em campo tomou o gol que ganhou lances de heroísmo porque o carrasco Acosta estava machucado.
Vitória importantíssima para assegurar o Náutico na primeirona e quem sabe nos fazer sonhar com uma possível Libertadores.
Embora torça pelos dois times, optei pelo Pernambuco. O primeiro por acreditar que o São Paulo ainda ter chance de chegar bem ao final do campeonato mesmo com a derrota para o Náutico. Já para o time do Recife uma derrota poderia levar ao início de uma crise que iria desestabilizar a equipe e comprometer os planos de permanecer na Primeira Divisão. O segundo motivo me foi dado depois pelo amigo Wagner, que também torce pelos dois times. É melhor perdemos esse campeonato e ganhar um treinador que esteja a altura do São Paulo do que corrermos o risco de ter mais um ano com Muricy.
Parabéns à torcida do Náutico. Lotou o estádio dos Aflitos (o que não é tão dificil). Gritos, vibrações e palmas divididas entre apoiar o time em campo e secar a Coisa que jogava a quilômetros de distância, no Rio de Janeiro...

E O PEIXE DEVOROU O LEÃO...
Depois de meses de encheção de saco. De Globo Esporte, de Jornal Nacional, de Esporte Espetacular, ele finalmente deu o ar da graça. Como a crônica de uma morte anunciada o famigerado gol mil de Romário, o peixe, saiu ( ou seria entrou?). Gol que não parece tendo em vista as polêmicas que cercam o número. O fato é que para os pernambucanos de bem (os que não torcem pelo Sport, entenda-se) o gol de Romário vai garantir gozação em cima dos rubro-negros por muito tempo. Para os alvirrubros o gol trouxe um alívio, pois não tivesse o baixinho massacrado o Sport poderia ser o Náutico a vítima da vez, no próximo final de semana.
Fico imaginando como deve ter sido a segunda-feira nas ruas do Recife. Os alvirrubros rindo à toa, a cidade em vermelho e branco e os torcedores chatos do sport, como só eles sabem ser, argumentando que devem faltar mais de cinquenta gols para o verdadeiro gol do baixinho sair.
Devo dizer que não suportava mais essa história de gol mil, mas também sou obrigado a confessar que valeu a pena esperar esse tempo todo para ver o Sport entrar na história como o time que levou o gol do baixinho...
Levar gol mil de Romário é luxo!!!

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Meu coração bate...


Em uma de suas declarações o Papa Bento XVI se referiu a Baviera alemã como o lugar pelo qual seu coração bate.
As palavras me tocaram porque não tinha visto até então uma demonstração carinhosa do Sumo Pontífice, que parece duro como uma rocha em seus princípios e propósitos.
É interessante notar que até as pessoas mais fechadas sempre se "derretem" por alguém ou algum lugar. Já que o Papa se referiu a um lugar, deixemos as pessoas de lado, por enquanto.
Assim como Bento XVI eu também tenho um lugar pelo qual meu coração bate. Ele se chama o Recife. Assim mesmo, antecedido por um artigo definido.
Sei que muitos vão reclamar porque não foi lá onde nasci. Por isso ou por aquilo, mas o Recife sempre esteve presente em minha vida desde muito cedo como o lugar onde eu deveria ir estudar. Onde eu deveria ganhar a vida. E assim foi. Terra onde fiz muitos amigos, terra que me acolheu e adotou. É por isso que é pelo Recife que meu coração bate, sem desmerecer meu Juazeiro do Norte, que também amo.
Dizem que o nosso tesouro está escondido onde está o nosso coração. O meu coração está no Recife...